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Palavras

*Gurdjieff, Visões do Mundo Real*

A doutrina cujos princípios vamos expor aqui tem como uma de suas tarefas aproximar nosso pensamento de uma designação matemática exata das coisas e eventos, e dar aos homens a possibilidade de se entenderem a si mesmos e uns aos outros.

Se pegarmos qualquer uma das palavras mais comumente usadas e tentarmos ver o quão variado é seu significado dependendo de quem as usa e em que contexto, entenderemos por que os homens não têm o poder de expressar seus pensamentos com exatidão e por que tudo o que dizem e pensam é tão instável e contraditório. Além da variedade de significados que cada palavra pode ter, essa confusão e contradição são causadas pelo fato de que os homens nunca se dão ao trabalho de esclarecer para si mesmos em que sentido estão usando esta ou aquela palavra, e só se surpreendem quando os outros não as entendem, embora para eles mesmos pareça tão claro. Por exemplo, se dissermos a palavra “mundo” diante de dez ouvintes, cada um deles a entenderá à sua própria maneira. Se os homens soubessem captar e registrar seus próprios pensamentos, perceberiam que não têm ideias claras ligadas à palavra “mundo”, mas apenas um termo conhecido e um som familiar foi pronunciado, cujo significado supostamente todos conhecem. É como se cada um, ao ouvir essa palavra, dissesse para si mesmo: “Ah, o 'mundo', eu sei o que é.” Na verdade, ele não sabe de fato. Mas a palavra é familiar e, por isso, nenhuma pergunta ou resposta desse tipo lhe ocorre. Ela é simplesmente aceita. Uma dúvida só surge em relação a palavras novas e desconhecidas, e então o homem tende a substituir a palavra desconhecida por uma conhecida. Ele chama isso de “entender”.

Se agora perguntarmos a esse homem o que ele entende pela palavra “mundo”, ele ficará perplexo com tal questão. Geralmente, quando ouve ou usa a palavra “mundo” em uma conversa, ele nem pensa no que significa, tendo decidido de uma vez por todas que sabe e que todos sabem. Agora, pela primeira vez, ele percebe que não sabe e que nunca pensou sobre isso; mas não será capaz — nem saberá como — permanecer na consciência de sua ignorância. Os homens não são suficientemente capazes de observar a si mesmos nem suficientemente sinceros para fazê-lo. Ele logo se recuperará, ou seja, rapidamente se enganará; e, ao lembrar ou inventar às pressas uma definição da palavra “mundo” a partir de alguma fonte familiar de conhecimento ou pensamento, ou a primeira definição alheia que lhe vier à mente, ele a expressará como seu próprio entendimento do significado da palavra, embora, na verdade, nunca tenha pensado no termo “mundo” dessa forma e não saiba como pensou.

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