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Ser Humano

Gurdjieff. Fazendo um Novo Mundo

  • O homem, sendo como tudo no universo um aparato transformador de energias, possui no entanto possibilidades únicas que o distinguem de tudo o mais, pois carrega em si os dados necessários para se tornar semelhante ao Atualizador de tudo o que existe no Universo.
    • Gurdjieff, em conferência pública em Nova York em janeiro de 1924, afirmou que o nome “Homem” designa o ápice da Criação.
    • Goethe escreveu que é preciso esforçar-se para se tornar o que se é, formulação que expressa com precisão o ensinamento de Gurdjieff sobre o homem.
    • Possuir o direito ao nome de homem exige tornar-se um.
  • A exigência de direitos sem o correspondente cumprimento de obrigações revela a ignorância humana acerca do que o homem pode se tornar e do que pode oferecer, e Gurdjieff é apresentado como um caminho para descobrir o verdadeiro elo entre a natureza humana e a natureza universal.
    • Desde o século XVII, a noção dos Direitos do Homem moldou a atitude humana de tal forma que mesmo os atraídos pelas ideias de Gurdjieff raramente consideram a fundo por que existimos.
    • A nobreza do homem reside no que ele pode se tornar e no que pode dar, não no que é ou no que tem.
    • O egoísmo e a ignorância são os dois principais obstáculos para essa compreensão.
  • A Doutrina da Manutenção Recíproca afirma que tudo que existe serve a um propósito e que o papel do homem é transformar energia, o que exige uma revolução completa na atitude humana em relação a si mesmo e ao mundo.
    • A atitude religiosa ocidental de que o mundo foi feito para o homem contradiz a ideia de Manutenção Recíproca.
    • A doutrina oriental de que a existência terrena é um estado não natural do qual o homem pode se libertar tampouco é compatível com a crença de que o homem serve a um propósito cósmico obrigatório.
    • O Nirvana budista confunde quem não compreende que a existência é um estado de limitação do qual se pode ser liberado.
    • A afirmação de Gurdjieff de que é preciso pagar a dívida da existência é coerente com a crença de que, ao pagar esse preço, o homem pode ser liberado das limitações da existência.
  • A fundação da atitude humana sobre direitos em vez de obrigações fez a humanidade perder o sentido e o propósito de sua existência, situação que Gurdjieff vincula a uma ruptura com um conhecimento anterior preservado na civilização suméria.
    • Gurdjieff conecta a consciência do propósito cósmico da vida a uma época anterior à última Era, associada à civilização suméria.
    • Naquele tempo, as pessoas sabiam que o propósito da vida não era a satisfação dos desejos, mas o cumprimento de um propósito Cósmico.
  • O ensinamento e o exemplo de vida de Gurdjieff contradizem algumas das crenças mais arraigadas do homem moderno, entre elas a crença no progresso material ilimitado e o direito de dominar a natureza.
    • O antropocentrismo humano chegou ao ponto de incluir projetos de colonização de outros planetas e invasão de outros sistemas estelares.
    • As revelações da ciência moderna sobre mundos inacessíveis ao homem não foram suficientes para abalar essa visão centrada no humano.
    • O que Gurdjieff fez para despertar a humanidade para o absurdo dessa atitude foi em grande parte ignorado.
  • Aqueles que se aproximam do ensinamento de Gurdjieff o fazem em geral por insatisfação com outros sistemas, aceitando com relativa facilidade diagnósticos como o de que o homem está adormecido e não possui eu nem vontade, mas essa compreensão permanece limitada enquanto não ultrapassar os conceitos antropocêntricos.
    • Para ir além, é necessário aceitar a Doutrina da Manutenção Recíproca, que inverte a ideia de que o mundo foi feito para o homem.
    • Gurdjieff não oferece simplesmente um sistema de aperfeiçoamento pessoal, mas uma perspectiva inteiramente nova sobre a vida e o propósito da existência humana.
  • A descrição básica da condição humana, apresentada de forma sucinta por Ouspensky em A Psicologia da Evolução Possível do Homem, demonstra que o homem não é consciente da maneira que comumente supõe, passando a maior parte da vida em automatismo.
    • Descartes propôs o argumento “penso, logo existo”, que Hume e outros céticos já haviam refutado.
    • Gurdjieff parte do ponto cético de que o homem não possui eu, mas mostra que certos eus podem reconhecer seu estado de escravidão e trabalhar para se libertar.
    • Ouspensky identifica quatro razões pelas quais o homem raramente consegue decidir por si mesmo: incapacidade de agir por intenção consciente, escravidão aos hábitos, influência do mundo externo e características imutáveis de sua própria natureza.
  • O Desenvolvimento Harmonioso do Homem, conforme entendido por Gurdjieff, é um processo extraordinário que permite ir além das limitações da natureza humana ordinária, e a melhor forma de compreendê-lo é por meio da divisão da natureza humana em sete categorias.
    • O homem número um é dominado pelo corpo físico e por considerações materiais, mesmo que possa aparentar fazer julgamentos intelectuais.
    • O homem número dois é dominado pelos sentimentos, com emoções exageradas, entusiasmos irracionais e confiança nos sentimentos acima de tudo; apesar de mais sensível que o número um, costuma ser mais egocêntrico.
    • O homem número três é dominado pelo pensamento, vivendo pela teoria, com tendência à abstração e à resolução de problemas por palavras.
    • Segundo Gurdjieff, todas as pessoas que encontramos pertencem a uma dessas três categorias, sendo o que ele chama de homens-máquina contemporâneos.
  • O homem número quatro distingue-se pelo equilíbrio entre corpo, sentimentos e pensamento, e sobretudo pela posse de um centro de gravidade permanente, que é um sistema de valores definitivamente aceito e um compromisso com a dupla obrigação de servir ao propósito cósmico e cumprir o próprio destino.
    • Os cinco esforços que Gurdjieff atribuiu a Ashiata Shiemash definem os princípios aos quais todo aspirante a homem real deve se comprometer.
    • O homem número quatro deu o primeiro passo em direção à libertação do egoísmo e sabe aonde deve ir, estando disposto a fazer os sacrifícios necessários.
  • O homem número cinco representa o primeiro passo além das limitações da existência humana, sendo o resultado de uma transformação interior e secreta pela qual o homem adquire um tipo diferente de ser, não mais sujeito às limitações da existência, designado pelo termo persa Kesdjan, o corpo-esseral segundo, ou recipiente da alma.
    • O corpo Kesdjan assemelha-se ao corpo astral dos teosofistas, com a diferença de que nos homens um, dois, três e mesmo quatro ele existe apenas em estado embrionário.
    • O homem número cinco está equilibrado entre os mundos material e espiritual, possui dois corpos e seu corpo Kesdjan pode adquirir razão objetiva.
    • O cerne da antropologia de Gurdjieff é que o homem não é por natureza uma alma imortal nem um autômato sem alma, mas um ser natural com potencialidades sobrenaturais.
  • O homem número seis é comparável ao Bodhisatva do Budismo Mahayana ou aos grandes santos e walis do Cristianismo e do Islã, sendo um ser não mais confinado ao mundo existente e liberado das limitações da existência, e o homem número sete representa a liberação última, um estado além de qualquer limitação, inclusive a da própria individualidade.
    • A expressão atribuída ao Profeta Muhammad, morrer antes de morrer, descreve a morte e ressurreição em modo transcendental do homem número seis, que possui um corpo-esseral superior, sede da Razão Objetiva e princípio da imortalidade.
    • O homem número sete atinge um estado em que o número deixa de ter qualquer significado e não é mais possível distinguir entre isto e aquilo.
    • Com esse esquema, Gurdjieff vai além dos conceitos religiosos, teosóficos e místicos de perfeição humana.
  • O esquema das sete categorias foi a primeira apresentação do ensinamento de Gurdjieff recebida pelo autor, por meio de Ouspensky em Constantinopla em 1920, e sua plena significância só foi compreendida décadas mais tarde.
    • Ouspensky desenhou um diagrama mostrando os três primeiros níveis paralelos e o quarto homem ainda no mesmo plano, dentro das limitações da existência.
    • A coluna vertical em direção aos homens cinco, seis e sete não foi plenamente compreendida naquele momento.
  • A questão da alma, segundo Gurdjieff, não pode ser discutida com real significado enquanto se pensar nela em termos da experiência ordinária, pois a possibilidade da alma reside em certas substâncias presentes no homem que, quando organizadas, se transformam no corpo Kesdjan, veículo externo da alma.
    • O homem ordinário, em quem essas substâncias não se cristalizaram, não é imortal, embora haja algo sensível nele capaz de sobreviver temporariamente à morte do corpo físico.
    • A imortalidade do homem não é existencial, mas está assentada em sua Razão Objetiva.
    • O homem se torna imortal apenas quando constrói para si sua própria alma completa.
  • A União com Deus é outra forma de apresentar o objetivo do desenvolvimento humano, sendo próxima da Visão Beatífica do Cristianismo e comum aos sufis do sul e à mística cristã, enquanto para os sufis do norte e os budistas o objetivo real é a libertação das condições da existência.
    • A questão de saber se Gurdjieff adota a doutrina do Itlaq, ou libertação, atribuída pelos sufis do norte aos Khwajagan e aos Mestres da Sabedoria, só pode ser respondida mediante exame mais detalhado da doutrina gurdjieffiana do homem.
  • A descrição do homem como ser tricerebral e o ensinamento psicológico sobre os centros apresentam certa complexidade progressiva, pois Gurdjieff partiu de três centros, adicionou o centro do movimento, o centro sexual e depois os centros Superior Emocional e Superior Mental, chegando a sete no total.
    • A posse de três cérebros distingue o homem das demais formas de vida, tornando-o semelhante em seu padrão essencial à estrutura do Universo inteiro.
    • Há uma tendência a confundir a apresentação psicológica do homem com três, quatro, cinco ou sete centros com a apresentação cósmica do homem como ser construído segundo a Lei da Triplicidade.
  • O homem, por ser capaz de ser portador da força reconciliadora, é dito feito à imagem de Deus, podendo representar em si mesmo o Funcionamento Cósmico pelo qual os mundos espiritual e material são harmonizados e o Propósito Divino é realizado.
    • A força afirmativa ou positiva está na cabeça, no cérebro.
    • A força de negação ou negativa está no corpo, na função sensório-motora.
    • O princípio reconciliador ou terceiro está na natureza emocional, disperso em vários centros na região do peito, o que tem tanto significado psicológico quanto cósmico.
    • Gurdjieff designou a emanação primária da Fonte Primária como Theomertmalogos, ou Deus-Palavra, lançando luz sobre a doutrina teológica da Santíssima Trindade.
  • A descrição do homem como ser tricerebral e o ensinamento sobre os centros apresentam certa confusão, em parte deliberada, pois Gurdjieff apresentava ideias incompletas e as modificava progressivamente até que seus alunos pudessem reter um conceito complexo.
    • Comentadores de Gurdjieff não apreenderam plenamente a significância do homem como ser tricerebral tal como apresentado em Os Contos de Belzebu.
  • A transição da ideia do homem tricerebral para o homem com quatro partes é ilustrada no último capítulo de Os Contos de Belzebu pela imagem de uma carruagem, em que o coche representa o corpo, o cavalo os sentimentos, o cocheiro a mente e o passageiro ou verdadeiro Mestre o eu.
    • Gurdjieff insiste que o homem não possui eu nem vontade, e que a ausência da suposta vontade é demonstrada de forma contundente no mesmo capítulo.
    • O desenvolvimento do homem deve ser concebido não apenas em termos de conhecimento e ser, mas dos três elementos de conhecimento, ser e vontade.
    • A falta de reconhecimento do papel da vontade é uma das razões pelas quais a aplicação prática dos métodos de Gurdjieff nem sempre produziu os resultados esperados.
  • O ceticismo contemporâneo em relação às promessas do desenvolvimento humano conecta-se à questão histórica de como reconciliar a crença no Amor de Deus com os fatos observados do sofrimento, do pecado, da doença e da frustração.
    • Essa questão não surgiu até que a Justiça Cósmica e a benevolência do Poder Divino foram proclamadas, cerca de quinhentos anos antes de Cristo.
    • Antes dessa época, os poderes superiores eram considerados caprichosos e indiferentes ao sofrimento humano.
  • Gurdjieff, ao contrário do humanismo que atribui o sofrimento à imaturidade humana e postula uma evolução ilimitada, propõe que os Poderes Superiores perceberam em certo período uma situação perigosa no planeta Terra e intervieram implantando no homem o Órgão Kundabuffer, situado na base da espinha, que impedia o homem de ver a situação como realmente era e o levava a basear seus valores exclusivamente na satisfação de desejos e na busca da felicidade.
    • A operação do lobo frontal remove quase todas as emoções desagradáveis sem destruir a capacidade de prazer, fenômeno que se assemelha ao descrito por Gurdjieff.
    • O homem de Neanderthal, com sua espinha curvada, foi subitamente substituído por precursores do homem moderno há cerca de 35.000 anos, o que é consistente com o relato de Gurdjieff no Capítulo X de Os Contos de Belzebu.
    • Gurdjieff vincula o aparecimento do Órgão Kundabuffer ao desenvolvimento da Lua e a condições no Sistema Solar de 100.000 a 70.000 anos atrás.
  • A evolução do homem ficou paralisada por quase cem mil anos e recomeçou vigorosamente trinta ou quarenta mil anos atrás, e quando o perigo de o homem cessar de transformar energias passou, o órgão foi removido, mas seus efeitos permaneceram hereditariamente como predisposição às suas propriedades.
    • Um erro foi cometido: os responsáveis pela operação não previram que as gerações vivendo pelo princípio do prazer desenvolveriam um hábito transmissível hereditariamente.
    • O homem continua obstruído por sua incapacidade de ver a situação como ela realmente é, vivendo como se ainda estivesse dominado pelo Órgão Kundabuffer.
    • A consciência foi enterrada no subconsciente, e com a mente consciente ordinária o homem continua a viver por direitos, ignorando suas obrigações.
  • A Lua é descrita por Gurdjieff como inimiga do homem, e a produção da energia sutil necessária pode ocorrer voluntária ou involuntariamente: voluntariamente pelo labor consciente e pelo sofrimento intencional, ou involuntariamente pelo processo da morte.
    • O Arcanjo Looisos interveio, segundo Os Contos de Belzebu, para implantar o Órgão Kundabuffer e evitar perturbações ligadas à evolução da Lua.
    • A explicação de Orage de que a Lua deve ser entendida psicologicamente como sinônimo do Órgão Kundabuffer é considerada simplista demais.
    • A diferença entre o homem e o animal é que o homem é capaz de liberar essa energia por decisão consciente, liberando também as duas substâncias complementares necessárias para o desenvolvimento de seus dois corpos-esserais superiores.
  • O ensinamento de Gurdjieff afirma que o homem tem a possibilidade de desenvolver três corpos: o corpo físico, que se desenvolve pela natureza; o corpo Kesdjan, que se desenvolve pelo labor consciente; e o corpo-esseral superior, chamado corpo da alma, que se desenvolve pelo sofrimento intencional.
    • A Razão Objetiva não pode entrar no corpo físico do homem, nem os centros ordinários de pensamento, sentimento, instinto e movimento podem ser seus instrumentos.
    • O homem começa a adquirir Razão Objetiva apenas quando seu segundo corpo já está formado, ainda que não perfeicionado.
    • Noções semelhantes de corpos superiores encontram-se nos ensinamentos budista e tântrico da Índia e do Tibet e nas doutrinas sufis da Ásia Central.
  • Existe uma discrepância entre as ideias apresentadas por Ouspensky em Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido e o próprio ensinamento de Gurdjieff em Os Contos de Belzebu, pois no primeiro a ênfase recai sobre o despertar dos centros superiores, que são descritos como já presentes em todos os homens, enquanto no segundo os corpos superiores precisam ser desenvolvidos pelo trabalho do homem sobre si mesmo.
    • O centro superior emocional é o órgão pelo qual o homem pode conhecer a Realidade que lhe diz respeito, a sede de sua consciência, de seu eu e de sua tomada de decisão.
    • O centro intelectual superior é aquele pelo qual o homem tem contato com os Princípios Cósmicos; seu funcionamento é completamente fora da mente, não é um processo de pensamento ou percepção sensorial, sendo atemporal e imediato.
  • Gurdjieff afirma que o centro intelectual superior é o instrumento normal do homem número sete, aquele que passou além dos limites da individualidade e do próprio ser, e que seres tricerebrais que vivessem normalmente pelo princípio Foolasnitamnian teriam a mesma duração de existência que todos os seres tricerebrais normais do Universo.
    • Meister Eckhart descreveu o homem-divino como aquele que percebe como Deus percebe.
    • Em O Resultado da Mentação Imparcial, Gurdjieff distingue quatro graus de Razão Objetiva, sendo o quarto o mais alto possível para um ser individualizado, situado a apenas dois graus da Razão Absoluta do Criador.
    • Quando um homem atingia esse grau, a duração de sua vida deixava de depender do acaso e passava a ser uma questão de sua própria escolha.
  • Os termos relativamente comuns usados em Os Contos de Belzebu para estados superiores de razão podem induzir a pensar que esses níveis são acessíveis por analogias com a experiência ordinária, equívoco que deve ser evitado para não reforçar a tendência antropomórfica.
    • Nosso Comum Pai Infinitude, o Poder Sagrado pelo qual o Universo é trazido à existência e redimido, é descrito em termos muito humanos, o que é difícil de conciliar com as noções absolutas dos sufis e dos Khwajagan.
  • Gurdjieff distingue em Os Contos de Belzebu entre Indivíduos Cósmicos encarnados de Cima e homens que atingiram alto grau de Razão Objetiva durante a vida na Terra e que, após a morte, se preparam para se unir ao Sol Absoluto, tornando-se por sua vez Indivíduos Cósmicos.
    • O Shivapuri Baba explicou de maneira semelhante que, após completar o ciclo de existência e atingir a libertação absoluta, o ser retorna à Fonte e não precisa mais encarnar, mas pode voltar à Terra, como Jesus Cristo, para ajudar a humanidade.
    • Ouspensky relatou Gurdjieff como tendo dito que, ao se medir o Ser de Jesus Cristo, poder-se-ia chamá-lo de Homem Número Oito.
    • Ashiata Shiemash é descrito como tendo passado de Muito Santo a Santíssimo, tornando-se um Indivíduo Cósmico sem o qual Nosso Comum Pai Infinitude não se digna a atualizar medidas em benefício do Cosmos.
  • O fio que conecta o nível ordinário de ser através de todas as graduações até os níveis inefáveis além da própria existência e do ser é a Vontade, que é independente do ser e do nível, sendo omnipresente e o Okidanokh Omnipresente.
    • A individualidade e a vontade do homem como pessoa estão fora de vista, não apenas invisíveis aos outros, mas imperceptíveis para a própria consciência ordinária do homem.
    • O Shivapuri Baba chamou de Véu da Consciência aquilo que nos separa de nossa própria realidade, que é a Vontade.
  • A consciência, como a vontade, está presente em todo homem, mas situada além de sua consciência ordinária, e diferentemente dos outros impulsos sagrados de Fé, Esperança e Amor, não sofreu degeneração.
    • A consciência é um poder organizado em nós, capaz não apenas de fazer, mas de conhecer.
    • A questão de saber se consciência e vontade podem ser simplesmente equiparadas permanece aberta e exige exame mais cuidadoso.
  • Em O Ensinamento de Ashiata Shiemash, os fatores para o impulso-esseral da consciência surgem nos seres tricerebrais a partir da localização das partículas das emanações do sofrimento do Criador, motivo pelo qual a fonte da manifestação da consciência genuína é às vezes chamada de Representante do Criador.
    • O sofrimento é formado pela luta persistente no Universo entre alegria e sofrimento, e em todos os seres tricerebrais a totalidade do ser deve ser sofrimento, pois sem isso o impulso da consciência não pode se manifestar.
    • Essa explicação é típica da concepção mais profunda que permeia Os Contos de Belzebu em comparação com a descrição relativamente simples da consciência apresentada por Ouspensky.
  • A compreensão de Gurdjieff sobre a consciência aprofundou-se após a grande crise de 1927 que lhe permitiu completar sua obra, mas os impulsos de Esperança, Fé, Amor e Alegria também são inerentes à natureza do homem, e o objetivo dos esforços não é um estado de sofrimento ininterrupto.
    • Aqueles que seguiram o ensinamento de Gurdjieff tenderam demasiadamente a olhar para o lado sombrio da vida, supondo que o trabalho era essencialmente uma questão de negação das alegrias.
    • Gurdjieff ao final da vida era capaz tanto de alegria quanto de sofrimento, e era marcado por uma compaixão avassaladora.
  • A impossibilidade de falar adequadamente sobre aqueles que foram além das limitações da existência é ilustrada por Meister Eckhart, que descreveu esses seres como estranhos ao lar e incompreendidos, conhecidos apenas por aqueles em quem a mesma luz brilha.
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