Os Relatos são um mito da Queda que contém muitas camadas de narrativa e simbolismo da Queda:
Belzebu se rebela contra Sua Imensidão (
Deus), é banido para um sistema solar distante (o nosso), passa seu exílio observando o sistema solar e em particular a Terra e os seres humanos, visita a Terra seis vezes e testemunha seu ciclo de vida desde logo após sua criação até 1922, e é finalmente perdoado e retorna ao seu
planeta natal, Karatas, em virtude da ajuda que prestou à humanidade.
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Os relatos são narrados ao seu neto de treze anos,
Hassein, a bordo de uma
nave espacial que viaja de e para uma conferência em outro
planeta, logo após o retorno de
Belzebu do exílio, tendo ele levado
Hassein consigo para que o tempo da viagem fosse aproveitado em ensinamento.
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Hassein aprende sobre a criação da Terra e dos seres, e sobre os desastres e Quedas subsequentes, desenvolvendo tanto um fundamento intelectual na estrutura teórica do universo quanto uma relação emocional e uma compaixão pelo destino dos seres humanos.
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Durante a viagem de retorno,
Belzebu é revelado como tendo alcançado um estado de perfeição segundo apenas ao mais elevado do universo, e sua mensagem final para a humanidade é que apenas por meio de uma memória constante da morte — de que morreremos, de que todos que vemos ou em quem pensamos também morrerão — será possível encontrar compaixão e amor uns pelos outros, pois a consciência da morte pode destruir o ego, cuja tendência ao ódio é a causa de todas as anomalias dos seres humanos.
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Dentro dessa estrutura narrativa
Gurdjieff expõe seu ensinamento sobre o estado degenerado da humanidade, sobre as
Leis cosmológicas dos Três e dos Sete e sobre o possível “caminho” para a libertação, utilizando humor, paradoxo e inconsistências para subverter as tentativas do leitor de chegar a um conhecimento certo ou a uma compreensão definitiva do que leu, induzindo assim uma experiência contínua e mutável do texto e do próprio leitor.