Maurice
Nicoll, sentindo-se inadequado para 'reentrar no útero da mãe', manteve seu grupo afastado de Paris, enquanto John Godolphin
Bennett, por acaso, recebeu de Sophie Grigorievna
Ouspensky o conselho para ir a
Gurdjieff, o que ele fez sem dificuldade.
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Não há registros de como
Gurdjieff abordou
Nicoll, que se sentia confortável em suas certezas e não foi a Paris.
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Bennett, em visita a Franklin Farms, confidenciou a Mme
Ouspensky seu sentido de uma presença após a morte de
Ouspensky, e ela o aconselhou a ir a
Gurdjieff, que não era louco e estava em Paris.
Bennett, aos cinquenta e um anos, ofereceu a
Gurdjieff duzentos pupilos e uma fazenda, reatando um vínculo rompido em 1924, e foi recebido pessoalmente pelo velho homem, cuja presença era tão imponente e perigosa quanto o Everest.
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Bennett não teve dificuldade em reabraçar
Gurdjieff, oferecendo-lhe seus pupilos e uma propriedade, simbolizando o fluxo anglo-saxão de volta à fonte.
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Gurdjieff, com seu fez, sapatos de pelica e barriga triunfante, confrontou seu apologista com uma atenção imperturbável, tão perigoso e caro quanto a aureomicina.
Gurdjieff, após examinar
Bennett com um olhar penetrante, afirmou não se lembrar dele, mas decifrou no homem de Coombe Springs um desafio particular, representado por sua espiritualidade rica e ambições de ser um apóstolo e de se tornar imortal.
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Apesar de não se lembrar de
Bennett, o olhar de
Gurdjieff parecia capaz de insinuar-se na psique de um homem e descobrir seus segredos e delinquir.
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A espiritualidade de
Bennett, marcada por jejuns, vigílias e sinais, e suas ambições de ser um apóstolo e de se tornar imortal, constituíam um desafio particular para
Gurdjieff.
Gurdjieff usou
Bennett, mas foi com sua esposa Winifred, a 'Polly', que demonstrou seu poder de cura, aliviando instantaneamente sua dor ao tomá-la para si mesmo.
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Polly
Bennett sofria de uma doença grave que intrigava os médicos, e ela escondia seu sofrimento atrás de um estoicismo bem-educado.
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Gurdjieff percebeu a dor de Polly, deu-lhe dois comprimidos e, após a remissão quase instantânea, perguntou onde a dor estava, ao que ela respondeu, com lágrimas, que ele a havia tomado, e ele respondeu que agora poderia ajudá-la.
Em 8 de agosto de 1948,
Gurdjieff sofreu um grave acidente de carro que matou o motorista do caminhão envolvido e o deixou com múltiplas fraturas e hemorragia, mas ele permaneceu consciente durante o resgate e foi levado de volta a Paris por Jeanne de
Salzmann.
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O acidente ocorreu quando
Gurdjieff passava por Montargis, matando o motorista bêbado do caminhão.
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Gurdjieff sofreu ferimentos graves, incluindo costelas quebradas, crânio fraturado e pulmões com sangue, mas permaneceu consciente e dirigiu os socorristas para evitar sangramento fatal.
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Jeanne de
Salzmann dirigiu a toda velocidade para Montargis, retirou
Gurdjieff do hospital e o trouxe de volta a Paris em marcha lenta.
Ao chegar em Paris,
Gurdjieff, apesar de parecer um morto-vivo, recusou morfina e presidiu um jantar agonizante, brindando a todos os tipos de idiotas com uma força de vontade aterrorizante, antes de ser recolhido aos cuidados de Mme de
Salzmann.
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Gurdjieff saiu do carro coberto de sangue, com o rosto roxo, e anunciou que todos os órgãos estavam destruídos e que era preciso fazer novos.
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Durante o jantar, com a garganta envolta em gaze e os dedos dilacerados,
Gurdjieff presidiu com uma beleza aterrorizante e recusou morfina.
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Gurdjieff propôs uma série de brindes aos idiotas, culminando nos 'Hopeless Idiots', com uma ressonância tão terrível e próxima que os convidados se dispersaram por insistência de Mme de
Salzmann.
Gurdjieff provou ser um paciente terrível que recusava tratamentos convencionais, mas, contra todas as expectativas, curou-se misteriosamente em uma semana, parecendo mais jovem do que antes do acidente.
O hiato de dez meses entre a morte de
Ouspensky e o acidente de
Gurdjieff terminou com a confluência de seis correntes tributárias de pupilos em Paris, confrontadas como nunca antes com a perigosa diversidade e historicidade do Trabalho.
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No final de agosto de 1948, não menos que seis grupos desiguais começaram a se misturar em Paris: de Londres, Nova York, Lyne, Mendham, Coombe Springs e o grupo francês.
A busca por harmonia e fraternidade universal no apartamento de
Gurdjieff era demasiado séria para uma camaradagem instantânea, pois cada líder de grupo, apesar das melhores resoluções, tinha opiniões forjadas por um contato íntimo e exigente com o Trabalho.
Gurdjieff, o colecionador de 'filhos e filhas', unia sua prole espiritual briguenta através de um paternalismo único, ensinando não com retórica, mas através de situações, e classificando os pupilos não por nacionalidade, mas por sua 'idiotice' indicativa, o que provou ter um poderoso efeito coesivo.
Os familiares de
Ouspensky, com suas faces de capela, viram sua intelectualidade desafiada por
Gurdjieff, que insistia no sentir e no remorso, e cujos métodos surrealistas, como a ênfase em enemas, frustravam as expectativas baseadas na memória de diagramas e sistemas.
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Os pupilos de
Ouspensky, acostumados a diagramas e sistemas, foram confrontados com a insistência de
Gurdjieff no sentir e no remorso.
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A declaração alarmante de
Gurdjieff sobre a necessidade de um enema diário não era o que se esperava do encontro.
A transição de
Ouspensky para
Gurdjieff, inicialmente percebida como uma mudança do saturnino para o jovial, revelou-se perigosa para a consciência, com a diferenciação entre idiotas objetivos e subjetivos carregada de significado insuportável.
Kenneth Walker, um dos mais antigos pupilos de
Ouspensky, chegou a Paris abatido pela morte do mestre, mas
Gurdjieff o recebeu com verdadeira compaixão, rejuvenescendo-o e restaurando sua fé e esperança.
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A transformação de Walker sob os cuidados de
Gurdjieff foi uma grande alegria de se testemunhar.
Em setembro de 1948,
Gurdjieff iniciou a busca por uma sede campestre, um novo 'Prieuré', que despertou um entusiasmo francês antes inexistente, e rapidamente surgiu a possibilidade de adquirir o Château de Voisins em Rambouillet.
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Gurdjieff expressou a necessidade de um lugar mais sólido para que as esperanças privadas de seus pupilos fossem subsumidas num objetivo comum.
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A oportunidade de alugar o Château de Voisins surgiu em condições providenciais, e Jeanne de
Salzmann e J.
G.
Bennett trabalharam arduamente nela.
A estratégia de
Gurdjieff mudou do castelo para a publicação de “
Beelzebub's Tales to His Grandson”, seu ensino quintessencial, um texto que, após vinte anos, permanecia inédito e cuja publicação iminente implicava o seu próprio 'desaparecimento'.
A fraqueza e a força do esquema 'Voisins-Beeizebub' residiam no financiamento, e a necessidade de dólares levou
Gurdjieff a preparar dezoito pessoas para uma demonstração de Movimentos em Nova York.
A preparação para a viagem a Nova York sacrificou a perfeição técnica dos dançarinos franceses no altar da integração, com os pés ingleses inexperientes ensaiando desesperadamente sob a orientação paciente dos franceses.
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Gurdjieff sacrificou a perfeição técnica dos franceses para integrar os ingleses na Demonstração Class.
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Os pés ingleses, descritos como 'primos do elefante', ensaiavam para se tornarem 'primos do gato', sob a orientação dos franceses, cuja boa vontade foi exaustivamente testada.
Gurdjieff, como portador do Passaporte Nansen, enfrentou complicações burocráticas para viajar, mas a influência secreta de seus pupilos, incluindo a garantia pessoal de um ex-Primeiro Ministro francês, resolveu o impasse e lhe garantiu o visto para os EUA.
Em 30 de outubro de 1948,
Gurdjieff partiu para Nova York com Jeanne de
Salzmann, deixando para trás uma companhia cuja coesão surpreendente foi observada por Dorothy Caruso, e nomeando
Bennett como Diretor durante sua ausência.
Ao embarcar em Le Havre,
Gurdjieff mais uma vez 'produziu-se' no teatro da partida, envolvido em mensagens, apartes e incidentes cômicos, sem que ninguém percebesse no grito da gaivota o presságio de que exatamente um ano depois ele estaria morto.
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O engajamento salgado de
Gurdjieff com a vida e seu prazer feroz por sua especificidade surreal pareciam prometer-lhe uma tenure sem fim.
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Ninguém captou no grito da gaivota o presságio de que exatamente um ano depois,
Gurdjieff estaria morto.