Charles Stanley
Nott, discípulo de longa data de
Gurdjieff, primeiro por meio de seu amigo A. R.
Orage e depois diretamente no Prieuré, recebeu de
Gurdjieff o título de “Patriarca” e três garrafas de armagnac em reconhecimento a uma conquista quase impossível no trabalho sobre si mesmo, e seus dois livros, Teachings of
Gurdjieff e Journey Through This World, são considerados essenciais para o estudante sério das ideias de
Gurdjieff.
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O doutor Stjoernval é mencionado como responsável por preparar a salada especial do Prieuré para o piquenique em honra de
Nott.
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Entre as contribuições do Patriarca
Nott, algumas são obviamente surpreendentes, como o ensinamento de
Gurdjieff sobre o único “lugar” para a experiência consciente, enquanto outras igualmente importantes são apresentadas de modo mais sutil, como a estranha advertência feita por
Gurdjieff a um jovem pupilo no Prieuré: nunca acreditar no que o ouve dizer e aprender a distinguir o que deve ser tomado literalmente do que deve ser tomado metaforicamente.
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A advertência implica que as palavras de
Gurdjieff não devem ser tomadas ao valor de face e que sua fala é frequentemente metafórica.
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Gurdjieff é descrito como homem não simples, cujos ensinamentos não devem ser dados como certos.
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A crescente complexidade do tema dos significados ocultos de
Gurdjieff é reconhecida, mas o Patriarca
Nott relata a afirmação de
Gurdjieff de que “pessoas simples” que nunca o conheceram pessoalmente compreenderão seu livro, o que implica que, em essência, seu ensinamento é simples, sendo o obstáculo principal a mente unilateral, excessivamente literal e ingênua do leitor que ainda não domina a linguagem especial pela qual
Gurdjieff transmite sua instrução mais importante.
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A. R.
Orage, escolhido por
Gurdjieff como tradutor-chefe de
Relatos de Belzebu a seu Neto e
Encontros com Homens Notáveis para o inglês e identificado por
Gurdjieff como “um de meus assistentes mais importantes” em A vida só é real, página 155, afirma em seu Commentary on
Beelzebub que
Relatos de Belzebu a seu Neto é “a única exemplificação de uma obra codificada acessível a nós”, confirmando assim a natureza codificada do
Legominismo de
Gurdjieff.
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O código de
Gurdjieff é descrito como simples, não comparável aos complexos códigos de Bletchley Park.
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Orage descreve
Relatos de Belzebu a seu Neto como uma espécie de Bíblia cujas anomalias aparentemente incongruentes e absurdas podem constituir um texto dentro do texto, formando um alfabeto da doutrina, e afirma que a chave do
Legominismo e das inexatidões está nas mãos do leitor, sendo a chave das inexatidões a ser descoberta pela intuição.
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Gurdjieff afirma que a Bíblia contém duas correntes de conhecimento, uma para quem tem compreensão e outra para quem toma as coisas literalmente, e, combinada com suas próprias advertências sobre significados ocultos, alegoria e metáfora, essa afirmação torna claro que quem toma
Gurdjieff ao pé da letra não compreende seu ensinamento.
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Os escritos de
Gurdjieff não são tão simples quanto a Bíblia, pois, onde a Bíblia tem duas correntes de conhecimento,
Gurdjieff tem três, conforme
Orage registra em seu Commentary, páginas 136 e 178 de Teachings: há três versões do livro, uma exterior, uma interior e uma mais interior, e cada afirmação completa tem sete aspectos.
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A página 178 repete o pensamento com palavras diferentes, técnica aprendida de
Gurdjieff.
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A história da extração do dente de sabedoria de
Gurdjieff nas páginas 32-33 de
Relatos de Belzebu a seu Neto é citada como exemplo interno da ideia dos sete aspectos, com o dente tendo sete raízes cada uma coroada por uma gota de sangue exibindo um dos sete aspectos da manifestação do raio branco.
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John
Bennett, outro discípulo próximo e bem conhecido de
Gurdjieff, afirma em Is There Life On Earth, página 113, que é quase impossível, sem estudo muito profundo e persistente, saber o que deve ser tomado literalmente, o que alegoricamente e o que na forma de um simbolismo especial, definindo assim as três versões como literal, alegórica e em forma de simbolismo especial.
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A partir de
Bennett e das observações anteriores de
Gurdjieff, esboça-se uma estrutura aproximada: versão exterior literal transmitida pela linguagem de palavras, versão interior de metáfora e alegoria, e versão mais interior expressa no simbolismo especial que
Gurdjieff chamou de linguagem que o leitor “ainda não conhece”.
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Frank Pinder, primeiro discípulo inglês de
Gurdjieff e seu braço direito por longo tempo, cujas contribuições são encontradas apenas nos livros de
Nott, descreve de modo mais concreto o que
Bennett chama de simbolismo especial, afirmando que
Gurdjieff falava e escrevia em “linguagem em forma de imagem”, descrição mais acessível e produtiva do que os termos mais abstratos de
Bennett.
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A explicação de Pinder sobre por que as palavras são inadequadas é interrompida intencionalmente, com a promessa de que
Gurdjieff a desenvolverá melhor em capítulo posterior.
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As contribuições mais amplas de Pinder são descritas como lançando luz considerável sobre o ensinamento de
Gurdjieff e como merecedoras de leitura no texto original.
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As três versões descritas por
Bennett, substituindo seu “simbolismo especial” pela “forma de imagem” de Pinder, são apresentadas de modo simultâneo e sobreposto, com a versão exterior de palavras contendo a versão interior mais sutil de metáfora e alegoria, que por sua vez contém a versão mais interior ainda mais sutil expressa em linguagem icônica ou em forma de imagem, sendo que cada camada tem seu próprio significado independente e potencialmente muito diferente das demais.
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O uso de termos como “simbólico” ou “simbolismo” por tantos discípulos diretos e confiáveis de
Gurdjieff sugere que ele os enfatizou repetidamente a seus alunos.