O caminho dos pássaros passava por sete vales — o da Busca, o do Amor, o da Compreensão, o do Alheamento, o da Unidade, o da Perplexidade e, finalmente, o da Morte — e o contraste entre a luz do sol e a sombra da realidade é completo na descrição do primeiro vale: “Quando entrares no primeiro, o Vale da Busca, cem dificuldades te assaltarão, serás submetido a uma centena de provas… Ali terás de passar vários anos, terás de fazer grandes esforços e modificar o teu estado.”
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Attar atenua essa intensidade para o leitor com inúmeras alegorias, digressões, narrativas e parábolas poéticas que transmitem um sentido de vida sem fim dentro do trivial e acentuam uma dimensão do espírito dentro do voo da alma em busca da verdade.
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Por fim, somente um pequeno número de toda a grande companhia chegou ao lugar sublime a que a Poupa os conduzira, pois dos milhares que haviam iniciado a viagem quase todos tinham desaparecido, e muitos que se aventuraram por curiosidade ou desfastio morreram sem ter tido ideia sequer do que se mostravam decididos a encontrar.
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Tendo deixado para trás o Vale da Morte, os trinta pássaros que ainda estão juntos chegam ao termo da jornada.
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No palácio do Simurgh são recebidos por um nobre camarista que, tendo-os primeiro posto à prova, abre a porta, e então “quando ele abriu uma centena de cortinas, uma atrás da outra, revelou-se-lhes um novo mundo além do véu”.