====== New York e Fontainebleau 1923-5 (4) ====== //C. S. Nott. Teachings of Gurdjieff. A Pupil’s Journal. An Account of Some Years With G. I. Gurdjieff and A. R. Orage in New York and at Fontainebleau-Avon. London: Routledge & Kegan Paul, 1961// * A recepção midiática das demonstrações em Nova York oscilou entre a cobertura extensiva de periódicos respeitáveis e o sensacionalismo de jornais populares, que distorceram as práticas do Instituto com narrativas fantasiosas e títulos depreciativos sobre a busca pela liberdade. * A imprensa de domingo dedicou páginas a descrições fictícias de rituais noturnos no Prieuré. * Termos como O Grande Harmonizador foram utilizados em tom de mofa por jornalistas em busca de sensacionalismo. * A deturpação de ideias nobres visava atender ao consumo de massa ávido por entretenimento vulgar. * O ceticismo de parte da intelectualidade esbarrou na elevada reputação dos alunos veteranos de Gurdjieff, cujos talentos e carreiras consolidadas em diversas áreas do saber e da arte conferiam credibilidade ao sistema. * Orage possuía renome literário internacional; de Salzmann era autoridade máxima em iluminação e cenografia. * De Hartmann e Stjoernval eram reconhecidos, respectivamente, na música erudita e na psiquiatria russa. * Críticos demonstraram incapacidade de categorizar ou rotular as danças segundo padrões estéticos conhecidos. * Teorias sobre hipnose ou coerção surgiram da incompreensão da seriedade e do rigor dos executantes. * Rumores infundados e maledicências pessoais tentaram associar o nome de Gurdjieff a figuras como Katherine Mansfield em contextos espúrios. * O primeiro contato pessoal direto com Gurdjieff revelou uma presença que emanava um poder e um estado esseral sem paralelos, estabelecendo uma hierarquia ontológica evidente mesmo em relação a homens adultos e cultos como Orage e Stjoernval. * O instrutor apresentava-se com trajes que incluíam gola e barrete de astracã, demonstrando um humor jovial e olhos de profunda compaixão. * A percepção imediata foi a de uma maturidade esseral que reduzia os demais interlocutores à condição de jovens perante um ancião. * A irradiação de força pessoal foi descrita como superior a qualquer outra encontrada em viagens anteriores. * A tentativa de interlocução intelectual através de obras como o Tertium Organum de Ouspensky foi prontamente desarticulada por Gurdjieff, que redirecionou a ênfase para a necessidade pragmática de preparação para as exigências da vida comum. * O comentário sobre a dificuldade da obra literária serviu para evidenciar a futilidade da abordagem puramente teórica. * O instrutor enfatizou a importância de obter qualificações formais (papéis) para a subsistência no mundo exterior. * A análise intuitiva de Gurdjieff identificou no interlocutor um estado de imersão em sonhos mentais e emocionais e o desejo de fuga da responsabilidade individual. * A proposta de trabalho no Instituto foi acolhida sob a advertência de que o estudo deve visar a funcionalidade na existência concreta.